Home Entrevistas traduzidas de Beyoncé para revistas Billboard – Maio de 2011

Billboard – Maio de 2011

Revista: Billboard
Fotos: ?
Edição: Maio de 2011
Resumo: Beyoncé fala sobre seu novo álbum, “4”, sobre sua carreira e sobre o futuro.
Tradução e adaptação: Rian Guimarães
Beyoncé: Ninguém pode me definir

Neste próximo capitulo de sua carreira, Beyoncé certamente está dedicada a romper fronteiras. É preciso coragem para uma das maiores pop stars do mundo lançar algo totalmente de diferente, como “Run the World (Girls)”. A música é sampleada do hit freak-obscuro de Major Lazer, “Pon de Floor”. Esta é apenas uma prévia do conjunto de texturas inesperadas e estruturas sônicas do novo álbum da cantora, que conta com a participação de artistas como Switch e de hitmakers, como The Dream. “Não há nada seguro sobre ele (o álbum), eu sei disso.”, disse The Dream, colaborador do disco e compositor do hino da carreira de Beyoncé “Single Ladies (Put a Ring on It)”. Esse [tipo de tratamento musical] nunca aconteceria com nenhum artista de sua estatura, seja homem ou mulher.

É um sentimento que Beyoncé parece muito consciente se si mesma. “Eu sinto como se o meu trabalho na indústria fosse romper barreiras. Tenho que evoluir constantemente.”, contou a cantora, enquanto era levada de um photoshoot em Long Island para um estúdio em Manhattan, em que teria uma reunião com sua nova equipe criativa.

Esta mulher independente, que completará 30 anos este ano e está felizmente casada com Jay-Z, tomou as rédeas de sua carreira como nunca antes. Seu novo álbum solo, “4”, foi feito durante todo o ano passado, sem a ajuda de seu pai e empresário de longa data, Mathew Knowles. Ela anunciou no dia 28 de março deste ano que os dois se separaram “em nível de negócios”. Levantando o punho na capa do seu single “Run the World (Girls)”, Beyoncé deixa clara a sua mensagem de poder feminino.
Nesta primeira entrevista desta nova fase, a estrela visou trilhar novos caminhos, mas sem esquecer-se de seu antigo, que lhe rendeu o prêmio de Artista do Milênio da Billboard.

Confira abaixo a entrevista com a cantora:

Sempre que você lança uma música nova, parece que você gera um Slogan. É algo que você pensa sobre?

É o que eu sempre quis fazer. Sou atraída por canções que se tornem assunto do jantar! [risos]. Com “Single Ladies” era óbvio que eu tinha acabado de casar. E as pessoas querem se casar todos os dias. E houve toda aquela coisa do Justin Timberlake – Skit em que o cantor recria o vídeo ao lado de Knowles e comediantes do SNL – no Saturday Night Live e também foi o ano em que as coisas no YouTube fluíram. Com “Irreplaceable”, a letra agressiva, o violão, os tambores, essas coisas geralmente não se misturam. E funcionou! Ficou atual. E “Crazy in Love” foi mais um daqueles momentos clássicos da cultura pop que nenhum de nós esperava. Pedi para o Jay participar da canção um dia antes do álbum ser apresentado, e graças a Deus ele participou. E nunca fica velha (a canção). Não importa quantas vezes que eu a cante!

O novo single Run the World (Girls) é muito ousado para você.

É definitivamente mais arriscado do que algo… Simples. Eu ouvi a faixa e amei por ser diferente, algo meio africano, meio eletrônico, meio futurístico. Faz-me lembrar de algo que eu amo: Misturar diferentes culturas e épocas – coisas que normalmente não se misturam – para criar um novo som. Eu nunca quero estar segura. Sempre quero ir contra a corrente. Assim que eu consigo algo, sempre traço um objetivo maior. É por isso que estou onde estou.

O novo álbum é chamado “4”. Além de ser seu quarto álbum solo, quais significados possuem este número?

Todos nós temos números especiais em nossas vidas, e 4 é o meu. É o dia em que eu nasci; aniversário da minha mãe, e um monte de aniversários de meus amigos está ligado a este número. Casei-me no dia 04 de abril.

Como foi o processo criativo desde novo trabalho?

Eu gravei mais de 60 canções: tudo que eu sempre quis tentar. Eu apenas gravei. Comecei inspirada por Fela Kuti [pioneiro da AfroBeat]. Trabalhei com a banda de “Fela!” – musical da Broadway inspirado na vida de Kuti – por alguns de dias, só para ter a sensação da alma e coração de sua música; é muito sexy, tem um ótimo groove para você se perder. Amo seus tambores, seu sax, como tudo é conectado. O que eu mais aprendi com Fela foi a liberdade artística: ele só sentia o espírito. Eu também encontrei muita inspiração nos grupos de R&B dos anos 90 como Earth, Wind and Fire, Derbage, Lionel Richie, Teena Marie… Ouvi muito Jackson Five e New Edition. Mas também Adele, Florence + the Machine e Prince. E claro, minha influência do Hip Hop, que é muito ampla. Também me dei mais liberdade para estender as notas, e trazer de volta a alma do canto. “Malabarismos” em minha voz que as pessoas ouvem em minhas performances ao vivo, mas não necessariamente em meus discos.

Você é um ícone do poder feminino. O que poder significa pra você?

Poder significa felicidade, poder significa trabalho duro e sacrifício. Para mim, é sobre ser um bom exemplo e não abusar de seu poder. Você ainda deve ter humildade. Eu vi como você pode dar exemplo, sem ser pelo medo. Minha visita ao Egito foi uma grande inspiração para mim. Quando o sol se pôs, não vi nenhuma mulher. Foi chocante e fascinante ao mesmo tempo, foi muito extremo. Vi milhares de homens andando pela rua, socializando em bares, rezando nas mesquitas – e não as mulheres. Senti muito orgulho quando me apresentei e vi a força que as mulheres estão ganhando através da música. Lembro-me de estar no Japão, quando o Destiny’s Child lançou “Independent Woman” e as mulheres diziam estar orgulhosas de ter seus empregos, seus pensamentos independente, seus próprios objetivos. Isso me fez sentir tão bem que eu senti que minha missão era inspirar as mulheres de um modo mais profundo.

Você sempre está em movimento. Você já teve tempo de inatividade?

Eu tive um dia off para levar meu sobrinho para a Disneylândia, que foi muito divertido. Não tinha feito nada parecido nos últimos dez anos – a última vez em que eu estive em um parque temático foi com as Destiny’s Child. Andamos em todos os brinquedos, e até duas vezes em alguns. Foi a primeira vez do meu sobrinho em uma montanha russa. Milhares de pessoas estavam lá, pois era páscoa, mas todos foram muito educados e respeitosos e nos divertimos bastante. Eu tinha o maior chapéu do pateta! [risos] Era pra ser um disfarce, com as orelhas caídas e o rosto quase tampado, mas até o final do passeio, descobri que estava fazendo papel de boba com ele [risos]. É uma lembrança muito boa para mim!

Este é o primeiro álbum que você faz sem seu pai te controlando. Que tipo de opção foi aberta que pode ser diferente de antes?

Não é que tenha acontecido nada de ruim entre nós. Minha família tem o meu apoio sempre, e eles me apóiam, mas quando você trabalha com as mesmas pessoas durante quinze anos, é natural que você tenha suas próprias idéias. Eu acredito que os pais preparem os filhos até o momento em que eles possam andar sozinhos. Neste momento, estou levando tudo que meu pai e minha mãe me ensinaram, sou capaz de fazer coisas do meu jeito. Nós estávamos em um ponto onde aprendemos muito uns com os outros. Agora é interessante para eu fazer tudo sozinha e contratar uma equipe sozinha. Eu comecei a me gerir.

Sua carreira no cinema recentemente tomou um rumo diferente. Você foi de “DreamGirls” e “Cadillac Records” para “Obsessed” e agora você está trabalhando com Clint EastWood no remake de “A Star is Born”.

É um sonho, eu ainda estou chocada porque vai acontecer. Clint Eastwood é clara e absolutamente o melhor e estou muito honrada! Eu estava sem pressa alguma de fazer outro filme, não queria nem tocar em “A Star is Born” se não fosse com ele. Na verdade, esse projeto já existia. Mas eu quis lutar por ele. Quero começar a filmar agora mesmo!

“A Star is Born” foi uma escolha adequada. Pois segue a ascensão de uma cantora ao estrelato. Quais foram seus marcos no seu caminho?

Eu diria que quando o Destiny’s Child trabalhou com Wyclef Jean em “No No No (Part II)” – nós éramos tão jovens e “verdes” em respeito a tudo, e mal podíamos esperar para trabalhar com ele. E ganhar o Grammy com “Say My Name” foi incrível. Lembro de ouvir a minha canção no rádio pela primeira vez, foi tipo “Uau! Parece um clássico, algo que vai durar para sempre.” As novas melodias, os scats (malabarismos vocais) que inspirou um total novo movimento no R&B. Fazer parte disso é incrível…

Depois de todas essas conquistas, como foi sair em carreira solo?

Assustador e poderoso! Todos no grupo [Destiny’s Child] estavam com medo e muito nervosos em ir para a carreira solo. Éramos muito apegadas, era muito difícil tomar decisões sem ter alguém para falar “Eu concordo”, “Eu discordo”. Mas passar por isso é parte da vida, foi o primeiro grande passo para mim, mas um dos grandes primeiros passos que sei que vou dar. Sinto-me assim agora novamente.

Estou chegando aos 30 anos e, finalmente, dei uma pausa em minha vida que nunca tive. Eu tirei mais de um ano de folga, viajei, passei um tempo com meu marido, acordei na minha cama, comia o que queria, fui a museus, espetáculos da Broadway, assisti documentários, e tive experiências de vida. Nunca dá para eu ir a concertos, pois estou sempre no palco trabalhando. Então vi shows de bandas que sempre quis ver, como Muse, Rage Against the Machine, que também inspirou o álbum. Descobri um monte de artistas que nunca tinha sido apresentada. Sou como uma esponja, absorvo tudo. Aprendi muito vendo esses grandes artistas. Ter tempo para crescer como ser humano foi realmente inspirador e me deu muito “de onde tirar”. Estou animada em crescer, só posso me divertir com a liberdade artística que tenho. Neste ponto, realmente sei quem sou e não sinto como se tivesse que me comparar à uma caixa. Não tenho medo de correr riscos. Ninguém pode me definir.