Home Entrevistas traduzidas de Beyoncé para revistas The New York Observer – Novembro 2008

The New York Observer – Novembro 2008

Revista: The New York Observer
Fotos: Robert Erdman
Edição: Novembro de 2008
Resumo: Beyoncé fala mais um pouco sobre sua nova era e seu novo álbum, I Am… Sasha Fierce.
Tradução e adaptação: Roberta Lessa
Numa recente tarde ensolarada de outono, Beyoncé Knowles – cantora, atriz e super-estrela em tempo integral – estava sentada num sofá numa suíte na cobertura do hotel Soho Grand. A “garota mais quente do pedaço” (como é chamada por seu parceiro de longa data, Jay-Z) parecia jovial e simples, quase sem maquiagem e com seu longo cabelo dourado escuro e enrolado descendo pelas costas. Quando ela está no palco, ninguém é como a Miss B., de 27 anos: ela faz carão, se mostra, e “uh, uh, uh, ohs” os seus famosos quadris. Em pessoa, no entanto, ela não poderia ser menos diva. Amigável e risonha, ela mostra alegremente as novas botas Alexander McQueen que comprou um dia antes e depois levantas os cabelos para que o entrevistador possa ver a etiqueta de seu casaco, também Alexander McQueen. Ela o usa sobre uma camiseta James Perse branca e simples (“meu uniforme,” ela diz “é sério, tenho umas 50 delas”) e com leggings pretas de couro.

Beyoncé ama moda desde sua infância graças a sua mãe, Tina Knowles, que era dona de um cabeleleiro. “Eu a via como uma terapeuta, uma rainha da maquiagem – a perfeita mulher esperta e glamurosa,” diz a jovem estrela. “As pessoas entravam, conversavam com ela, falavam sobre seus problemas e saíam de lá parecendo outra pessoa.”

Tina ensinou a sua filha a importância de ser criativa e de como você não precisa necessariamente de muito dinheiro para ter estilo. “Ela comprava jaquetas simples para nós e nós íamos a papelarias e comprávamos contas e glitter para customizar muitas de nossas roupas,” diz Beyoncé. “Eu vejo algumas fotos e fico completamente horrorizada. Mas ela me ensinou a importância de ter uma boa aparência e de se sentir bem, mas também que a beleza vem de dentro.”

Tina Knowles e Beyoncé criaram uma linha de roupas feminina, House of Deréon, em 2005, e lançarão uma nova linha de jóais no início de 2009. “Sou a rainha dos acessórios”, diz ela. “Coleciono jóias vintage – muitas são Chanel. Eu as amo porque você sabe qu ninguém mais as tem. Às vezes eu nem as uso – gosto de ficar só olhando.”

Beyoncé começou a comprar em lojas vintage quando era uma adolescente, crescendo em Houston, e ainda é atraída por marcas antigas, de uma era anterior e menos confusa. “Eu vou sempre amar o corte dos anos 40,” diz ela.”Porque eu sou uma mulher curvilínea, então é a silhueta que fica melhor no meu corpo.” Ela admira mas evita as tendências que ela sabe que não vão cair bem nela, como aqueles longos vestidos boêmios que invadiram Manhattan no verão passado. “(Os vestidos) iriam me engolir e eu pareceria mais pesada,” ela diz. “Tem certas coisas que eu posso fazer, mas tenho que mostrar minha cintura e usar coisas que fiquem boas no meu corpo. Eu sei o que fica bem em mim, e isso já é metade do caminho.”

Os próximos meses serão agitados para a ocupada B – seu terceiro álbum solo, I Am… Sasha Fierce, será lançado este mês, seguido do retorno da cantiz às telonas em dezembro, no filme Cadillac Records. Nele, ela interpreta a lendária cantora de blues Etta James – “a primeira mulher Afro-Americana a chegar lá,” reforça Beyoncé, “Eu não teria nem chance” – apenas alguns anos depois de fazer o papel de Diana Ross em Dreamgirls.

No novo filme, que afirma a influência que James exercia nas cantoras brancas da época, co-estrelam Adrien Brody e Jeffrey Wright. “Foi o filme mais desafiador e recompensador que eu já fiz parte,” diz Beyoncé. Não que não tenha havido alguma hesitação inicial. “Eu ficava tipo, será que eu consigo? Estou pronta para isso? As pessoas já são tão críticas com cantores que viram atores.

Ela foi inspirada, como diz, por Ross e Billie Holiday – e, é claro, pela própria James. “Ela era tão corajosa e brava. Ela sempre foi Etta,” diz Beyoncé. “Ela não ligava para o que as pessoas pensassem dela. Isso me deu força para arriscar mais no meu álbum.”

I Am… Sasha Fierce, que inclui os singles “Single Ladies (Put a Ring On It)” e “If I Were a Boy,” leva a cantora a novas direções. “Eu sempre me desafio, mas aquele medo que eu tinha – aquela ansiedade de antes de começar o filme – eu soube que era hora de eu arriscar com minha música,” diz Beyoncé. “Eu já fiz tantas coisas, conquistei tantas coisas, fui realmente, realmente abençoada. Mas, chega uma hora que você fica entediado artisticamente falando, e você quer mostrar que há mais em você do que as pessoas pensam.”