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Beyoncé é capa da revista W, edição de Julho de 2011

Beyoncé por Patrick Demarchelier para a revista W, edição de Julho de 2011 - Capa.
Beyoncé por Patrick Demarchelier para a revista W, edição de Julho de 2011 – Capa.
Quando eu canto uma canção

Beyoncé Knowles disse, enquanto seu carro ia do estúdio de fotos ao estúdio de gravação, que ela estava ajeitando os últimos detalhes de seu novo álbum. “Definitivamente, eu tenho a imagem do vídeo na minha mente. Eu vejo a coreografia que estará no vídeo e eu posso ver como eu estarei nele, antes que qualquer um – o diretor ou a gravadora – ouça a música.” Beyoncé, que fala comigo por telefone, foi interrompida. A vida dela no último mês, julgando pelas semanas de adiamento da nossa entrevista, se resume a uma série de atividades de planejamento: sessões de fotos para capas de revistas, as filmagens do clipe de seu novo single “Run the World (Girls)” e sua ida a um evento que aconteceu no Metropolitan Museum of Art, onde ela foi vaiada por passar muito rapidamente pelo tapete vermelho. “Uma amiga minha está chegando aqui com o bebê dela,” Beyoncé me contou. “Não quero ser rude.” Eu concordei em ficar esperando. A ligação caiu. “Desculpe,” Beyoncé disse quando ligou dez minutos depois. “Foi chato para mim. Acho que para você também,” ela riu suavemente.

Francamente, eu estava pronto para ficar irritado (nossa entrevista estava marcada para as 16h e já eram 19h30m; fiquei encarando o telefone por horas), mas Beyoncé, que tem uma mistura de charme e intensidade sulista (ela cresceu no Texas), é bem persuasiva. Durante toda a sua carreira de 18 anos, que ela começou quando tinha 12, no Destiny’s Child, ela quase nunca esteve longe dos spotlights e ainda assim tem o cuidado e o foco de uma iniciante que tem algo a provar. “Eu queria que esse disco fosse bem cru,” Beyoncé continuou. “Interpretar Etta James no filme Cadillac Records realmente me mudou. Era um personagem tão escuro e eu percebi que, se algo parece muito confortável agora, eu quero distância. Não é divertido estar segura.”

A performance pouco comentada de Beyoncé como James foi marcante – ela não era mais a “perfeita Beyoncé”. Como James, que cantava blues e era viciada em drogas, ela era complexa e atormentada. Sua interpretação talvez tenha sido o que levou Clint Eastwood a escalá-la para sua adaptação de “A Star Is Born”, no qual ela dará vida a uma cantora de sucesso que se apaixona por um ator decadente. “Ah, meu Deus,” Beyoncé exclama, “isso é o que mais me assusta.”

Antes de começar a filmar, há um álbum a ser terminado. Das seis músicas que ouvi, posso dizer que as batidas estão mais fortes e profundas do que no álbum anterior. Em uma delas, ela briga com um ex-amante (“Deve ser uma droga ser você nesse momento”) e, em outra, comemora ter perdido um cara não tão legal (“Graças a Deus você se revelou / Graças a Deus eu evitei esse problema”). A voz dela está mais polida, profunda, mas também temos uma balada que celebra o poder feminino. “Os fãs deram o nome ’4′ ao álbum,” Beyoncé explica. “E quatro é meu número favorito. É um número importante na minha vida: o dia do meu aniversário, o dia do aniversário da minha mãe, o dia do aniversário do meu marido, o dia do meu casamento. Barack Obama é o 44º presidente dos EUA, e eu cantei ‘At Last’, de Etta James, no baile da posse.”

Veja as imagens do ensaio de Beyoncé para a revista W, por Patrick Demarchelier.

Pela ocasião do lançamento de seu quarto álbum, pedimos Beyoncé para escolher algumas images de sua carreira pós-Destiny’s Child que mostrem sua evolução. “Todas essas imagens tem algo em comum,” Beyoncé diz. “Nos meus vídeos, eu sempre quero ser uma mulher poderosa. Essa é minha missão.”

1- Crazy In Love (2003)
“Eu tinha acabado de fazer 21 anos e esse foi meu primeiro vídeo solo. Eu queria fazer uma versão feminina de James Dean e por isso eu vesti uma camisa branca e shorts jeans. Eu sempre penso em vestir coisas que os fãs possam comprar e vestir também; quando eu era mais nova, lembro que via meus artistas e queria me vestir como eles. Eu colocava zippers nas minhas jaquetas para ficar como Michael Jackson.

Eu uso também saltos vermelhos no vídeo. Desde criança eu fui treinada para dançar usando saltos altos. Com 13 anos, no Destiny’s Child, nos falavam para usar saltos, mas nós não conseguíamos. Não conseguíamos ficar com os joelhos esticados. Mas então nós aprendemos, e essa se tornou a imagem das Destiny’s Child: muito novas e muito glamourosas. Agora eu tenho uma regra: meus dançarinos devem usar saltos enquanto eu estiver usando. Eles dizem “Por favor, tire os sapatos, Beyoncé!” Em casa, estou sempre descalça. E eu tenho um andar pesado sem os saltos. Quando eles me escutam andar pela casa, eles dizem “Oh, a Beyoncé acordou.”

2- Deja Vu (2006)
“Nós filmamos esse em Nova Orleans logo depois do furacão Katrina, e a coreografia era tribal na minha mente. Sinto uma relação espiritual com Louisiana, de onde a minha família é, e eu pensei em Josephine Baker. Ela tinha um jeito de dançar que era como se ela estivesse possuída. Eu a usei como referência e combinei com Brigitte Bardot. Meu cabelo, meu corpete, são muito Bardot. Eu adoro misturar coisas que as pessoas não esperariam juntas – como Baker e Bardot. As duas tinha influências francesas, o que é muito forte em Louisiana.”

3- A arte do álbum Sasha Fierce (2008)
“Eu estou vestindo um top dourado feito por José Barrera. Era difícil abaixar os braços vestindo essa roupa, e é por isso que eles estão para cima na foto. A luva dourada foi feita por mim – é a minha própria luva futurística estilo Michael Jackson.

Sasha Fierce nasceu no vídeo de Crazy In Love. Eu sou uma pessoa naturalmente tímida e fui acostumada a me apresentar em um grupo onde havia muita cumplicidade feminina – nós todas estávamos passando pelas mesmas coisas ao mesmo tempo. Como Sasha Fierce, eu estava sozinha. Tive que deixar rolar e mostrar minha sensualidade de um novo jeito: me tornei Sasha Fierce.”

4- Single Ladies (2008)
“Minha mãe fez esse maiô de um ombro só na noite anterior da filmagem do vídeo. Novamente, eu queria vestir algo que qualquer fã pudesse usar. Sou obcecada por Bob Fosse e pensei nesse vídeo como algo simples e inspirado nele. Foi um dos dias mais quentes registrados em Nova York e, apesar de não sabermos na época, estávamos filmando em um velho estúdio de pornografia. Eu comecei a suspeitar disso quando vi que todo camarim tinham um tema. Eu estava no “quarto da selva” e descobri que eles tinham filmado um desses filmes lá. Não havia aparelho de ar-condicionado no estúdio e, para completar o drama, nós estávamos suados e brilhando.

5- Telephone (2010)
“Gaga é a minha garota! Eu sou a maior fã dela. Quando vi ela se apresentar pela primeira vez, a chamei e disse ‘Você é demais!’ Foi antes de toda essa popularidade dela, e nós nos conectamos de verdade. Mais tarde, ela me chamou para fazer o vídeo e eu disse ‘Eu confio em você, Gaga. Faço o que você quiser.’ Interpretei uma garota muito, muito má. Quando coloquei aquela peruca à lá Bettie Page, entrei na personagem. Comecei a pesquisar sobre Bettie Page e tentei reproduzir as poses de pinup dela. O vídeo acabou se parecendo bastante com os filmes de Quentin Tarantino. Ele nos deu a benção dele e até emprestou o Pussy Wagon, de Kill Bill. Minha mãe disse ‘Você tem mesmo que usar esse carro?’”

6- Why Don’t You Love Me (2010)
“Eu ainda estava pensando em Bettie Page e quis fazer algo inspirado nela. O vídeo foi um segredo: eu paguei por ele, o co-dirigi e não contei para a gravadora nem para meu empresário. As roupas e as joias são minhas mesmo, as perucas são minhas e eu mesma fiz minha maquiagem. Nós fizemos oito visuais em um dia naquela bela casa que pertencia a um produtor que trabalhou com Dorothy Dandridge. Ele tinha fotos dela na parede, então o espírito dela está nesse vídeo também. Eu amo filmes de Super 8 e queria as cores saturadas. É um drama diferente – as lágrimas, o martíni e os cigarros. Eu queria trazer o passado para o presente.”

7- Run the World (2011)
“Esse é uma afirmação de poder, o próximo capítulo da minha vida. Eu faço esse trabalho porque ele me deixa feliz e inspira as pessoas. Nesse vídeo, o que eu quis mostrar foi que eu sou orgulhosa de ser uma mulher. Eu li sobre uns africanos que criavam hienas como bichos de estimação e eu quis criar um mundo onde as mulheres o dominassem, então, no vídeo, eu tenho hienas como bichos de estimação. Estou usando um vestido da Givenchy Couture e segurando essas hienas doidas. O vestido está até meio sujo, mas eu estou pura e alta. Eu queria mostrar uma coisa: as mulheres dominam.”

Confira o vídeo dos bastidores do ensaio:

DETALHES TÉCNICOS:
Revista: W
Fotos: Patrick Demarchelier
Edição: Julho de 2011
Resumo: Beyoncé fala sobre momentos marcantes de sua evolução artística
Tradução e adaptação: Roberta Lessa